{"id":265,"date":"2012-11-06T09:40:45","date_gmt":"2012-11-06T12:40:45","guid":{"rendered":"http:\/\/ongtrem.org.br\/site\/?p=265"},"modified":"2023-10-21T14:55:38","modified_gmt":"2023-10-21T17:55:38","slug":"locomotiva-parada-na-usimec","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oexpresso.org\/ongtrem3\/locomotiva-parada-na-usimec\/","title":{"rendered":"Locomotiva vira sucata na Usimec"},"content":{"rendered":"<p><br \/>\nEncontra-se no p\u00e1tio da Usiminas Mec\u00e2nica em Ipatinga uma locomotiva que pertenceu \u00e0 Ferrovia Teresa Cristina (FTC). Esta locomotiva foi fabricada pela THE BALDWIN LOCOMOTIVE WORKS, Philadelfia \u2013 USA no\u00a0ano de 1944. Trata-se de um modelo Texas, bitola de 1,00m, com conforma\u00e7\u00e3o de rodas\u00a0 2-10-4, e N\u00ba de s\u00e9rie 62363. Locomotiva de servi\u00e7o pesado, com chassi (longer\u00e3o) estendido, para tra\u00e7\u00e3o de grandes composi\u00e7\u00f5es, utilizada em longos percursos. Esta, como outras de seu lote, vieram desmontadas dos EUA, foram montadas nas oficinas do Horto em Belo Horizonte, e trabalharam at\u00e9 1958 nas linhas da Central em Minas, de onde algumas seguiram para Santa Catarina.<\/p>\n<p>Chamando originalmente Donna Thereza Christina Railway Co. Ltd., a FTC foi constru\u00edda com capital ingl\u00eas entre 1880 e 1884 por conta do carv\u00e3o descoberto na regi\u00e3o de Tubar\u00e3o \u2013 SC. Dificuldades posteriores levam \u00e0 encampa\u00e7\u00e3o da ferrovia pelo governo brasileiro j\u00e1 em\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1902\"><strong>1902<\/strong><\/a>\u00a0e, em\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1957\"><strong>1957<\/strong><\/a>, \u00e9 incorporada ao patrim\u00f4nio da estatal\u00a0<a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/RFFSA\"><strong>RFFSA<\/strong><\/a>\u00a0\u2013 Rede Ferrovi\u00e1ria Federal SA, no rastro da consolida\u00e7\u00e3o de 18 ferrovias regionais em uma \u00fanica empresa.<\/p>\n<p>O per\u00edodo \u00e1ureo daquela ferrovia se d\u00e1 entre os anos de 1983<strong>\u00a0<\/strong>e<strong>\u00a0<\/strong>1986, quando o transporte alcan\u00e7ou o n\u00edvel de sete milh\u00f5es de toneladas\/ano.<\/p>\n<p>Com a supera\u00e7\u00e3o da crise do petr\u00f3leo, o\u00a0<strong>fim<\/strong>\u00a0da obriga\u00e7\u00e3o em\u00a0<strong>1990<\/strong>\u00a0das\u00a0<strong>sider\u00fargicas<\/strong>utilizarem o m\u00ednimo de 20% do carv\u00e3o nacional, e mais a perda de alguns outros clientes, a ferrovia come\u00e7a a passar por dificuldades.<\/p>\n<p>Em<strong>\u00a0<\/strong>1997<strong>\u00a0el<\/strong>a \u00e9 privatizada, sendo gerida pelo novo concession\u00e1rio \u2013<strong>\u00a0<\/strong>Ferrovia Tereza Cristina SA<strong>\u00a0<\/strong>(FTC), que a arrendou por um per\u00edodo de 30 anos.<\/p>\n<p>Alguns detalhes se perderam no tempo, mas em algum momento entre 1983 e 1985, exatamente no auge da demanda das locomotivas da FTC, a locomotiva de inscri\u00e7\u00e3o 313 \u00e9 remetida para a ent\u00e3o USIMEC em Ipatinga, aonde chegou rodando rebocada. O motivo do envio, segundo alguns, seria para uma atualiza\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica e de desempenho, e que ela, reparada\u00a0e colocada em ordem, seria o prot\u00f3tipo para servi\u00e7os a serem executados em mais 12 locomotivas do mesmo modelo. Para outros o objetivo seria o aumento da pot\u00eancia, e para outros ainda seria para a fabrica\u00e7\u00e3o de outras m\u00e1quinas iguais.<\/p>\n<p>Hoje, n\u00e3o importando o motivo pelo qual ela veio para a ent\u00e3o USIMEC, o fato \u00e9 que ela se encontra sucateada no p\u00e1tio da empresa depois de totalmente desmontada. V\u00e1rias pe\u00e7as vitais desapareceram, como quadrantes, barras radiais e muitas outras, e o que restou foi deixado ao relento sob o sol e a chuva.<\/p>\n<p>Embora o processo de concess\u00e3o da malha ferrovi\u00e1ria nacional tenha in\u00fameros pontos falhos e question\u00e1veis, todo o patrim\u00f4nio im\u00f3vel ou rodante que pertenceu \u00e0 RFFSA, a menos que tenha sido vendido explicitamente ap\u00f3s a privatiza\u00e7\u00e3o, continua pertencendo \u00e0 Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim a locomotiva Baldwin 313 \u00e9 inquestionavelmente patrim\u00f4nio federal, que n\u00e3o est\u00e1 sob a concess\u00e3o de nenhuma empresa operadora, e que, portanto, em princ\u00edpio, se encontra sob os (des)cuidados federais.<\/p>\n<p>A Usiminas Mec\u00e2nica, uma vez desmontada a locomotiva, jamais se preocupou em remont\u00e1-la, ou ao menos em garantir que as pe\u00e7as seriam preservadas e abrigadas. Ao contr\u00e1rio amontoou as pe\u00e7as em um canto de seu p\u00e1tio, deixou o tempo fazer seu trabalho, e torceu para que chegasse o dia em que ningu\u00e9m se lembrasse mais dela, quando certamente a mandaria para a panela da aciaria, mesmo destino absurdo que tantas outras tiveram.<\/p>\n<p>Portanto, solicitamos desta Procuradoria a urgente tomada de provid\u00eancias para que a Usiminas Mec\u00e2nica seja instada a recuperar e colocar em condi\u00e7\u00f5es de marcha, tal como a recebeu, a locomotiva Baldwin 313, que se encontra em seu p\u00e1tio, uma vez que ela \u00e9 patrim\u00f4nio federal, tem uma rica hist\u00f3ria de servi\u00e7os a este pa\u00eds, faz parte da mem\u00f3ria industrial nacional e \u00e9 a \u00fanica Baldwin Texas que sobrou em solo mineiro.<\/p>\n<p>Sem mais, atenciosamente,<\/p>\n<p>Belo Horizonte, 17 de Outubro de 2012<\/p>\n<p>ONGtrem e Instituto Cidades<\/p>\n<p>Enviado para<\/p>\n<address>Sr Procurador Federal<br \/>\nDr \u00a0Edmar Gomes Machado<br \/>\nRua Milton Campos, 32 \u2013 Bairro Cidade Nobre<br \/>\nCEP: 35.162-393 \u2013 Ipatinga \u2013 MG<\/address>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontra-se no p\u00e1tio da Usiminas Mec\u00e2nica em Ipatinga uma locomotiva que pertenceu \u00e0 Ferrovia Teresa Cristina (FTC). 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