{"id":501,"date":"2013-02-05T18:28:40","date_gmt":"2013-02-05T21:28:40","guid":{"rendered":"http:\/\/ongtrem.org.br\/site\/?p=501"},"modified":"2023-10-21T14:55:38","modified_gmt":"2023-10-21T17:55:38","slug":"tentando-entender-as-ferrovias-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oexpresso.org\/ongtrem3\/tentando-entender-as-ferrovias-no-brasil\/","title":{"rendered":"Tentando entender as ferrovias no Brasil."},"content":{"rendered":"<div class=\"gmail_quote\">\n<div class=\"gmail_quote\">\n<div>\n<div class=\"gmail_quote\">\n<div class=\"gmail_quote\">\n<div>\n<div><span style=\"font-family: Tahoma\">Wanderley Duck (*)<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Olhem esta foto abaixo e vejam o tamanho da carga que esse navio semi-submers\u00edvel est\u00e1 transportando no seu conv\u00e9s, comparem com o tamanho dos pr\u00e9dios que aparecem nas proximidades.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/ongtrem.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/1.jpg\" align=\"baseline\" border=\"0\" hspace=\"0\" \/><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">Foto extra\u00edda do Shippingnewsclipping da Brazil P&amp;I<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Essa carga n\u00e3o \u00e9 grande, \u00e9 descomunal, \u00e9 maior e mais pesada do que muitos edif\u00edcios das grandes metr\u00f3poles. <\/span><span style=\"font-family: Arial\">Ali\u00e1s o tamanho do navio tamb\u00e9m \u00e9 descomunal.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Principalmente por conta da ind\u00fastria do petr\u00f3leo, mas tamb\u00e9m por outros motivos, muito do transporte mar\u00edtimo dos dias de hoje envolve opera\u00e7\u00f5es de navios e cargas mais do que gigantescas.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Elas viajam por milhares de quil\u00f4metros, indo de um continente ao outro em mares muitas vezes bravios\u00a0e \u00e9 raro, muito raro mesmo, acontecerem acidentes.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Os hor\u00e1rios, via de regra, tamb\u00e9m s\u00e3o mantidos.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Se voc\u00eas compararem um trem com o conjunto navio e carga dessa foto, se colocarem um trem a\u00ed do lado, ele vai parecer uma minhoquinha, pequena e insignificante.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Pois bem,\u00a0deixemos agora o mar l\u00e1 embaixo e vamos ao meu local trabalho; olha ele a\u00ed, cheio de telas, &#8220;reloginhos&#8221;, bot\u00f5es e alavancas, mas muito confort\u00e1vel e veloz.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/ongtrem.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/2.jpg\" align=\"baseline\" border=\"0\" hspace=\"0\" \/><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">Arquivo pessoal<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Em m\u00e9dia, a gente trabalha a uma velocidade de 1.100 km\/h, varia um pouco conforme o vento. Nos avi\u00f5es menores ou mais antigos, essa m\u00e9dia cai para uns 900 km\/h, o que tamb\u00e9m \u00e9 bastante, j\u00e1 que essa \u00e9 a velocidade da bala de um rev\u00f3lver comum.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Nesse conforto todo, com direito a ar condicionado e cafezinho, levamos umas 300 pessoas ou algumas toneladas de carga pelo mundo inteiro no meio de um tr\u00e1fego a\u00e9reo danado,\u00a0n\u00e3o \u00e9 raro\u00a0entrarmos em uma terminal aonde existem 50 ou mais avi\u00f5es sendo organizados para pousar.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">O que \u00e9 muito raro, \u00e9 acontecer algum acidente. Ali\u00e1s \u00e9\u00a0t\u00e3o raro, que quando acontece um a imprensa e a &#8220;impren\u00e7a&#8221; fazem o maior estardalha\u00e7o e falam dele durante d\u00e9cadas.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Perto da velocidade em que trabalhamos, um trem \u00e9 uma tartaruga\u00a0de muletas\u00a0e, diante do imenso tr\u00e1fego que enfrentamos, as linhas das ferrovias s\u00e3o um lugar aonde demora um temp\u00e3o para passar outro trem.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Mas a gente tem tamb\u00e9m os metr\u00f4s, como o de S\u00e3o Paulo, e os trens de alta velocidade, como os\u00a0da Europa, que funcionam que \u00e9 uma beleza, levando muita gente sobre os seus trilhos com uma efici\u00eancia e com uma velocidade que merecem respeito.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/ongtrem.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/5b.jpg\" align=\"baseline\" border=\"0\" hspace=\"0\" \/><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">O Metr\u00f4 de S\u00e3o Paulo e o\u00a0TGV franc\u00eas<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">E \u00e9 a\u00ed que vem a minha pergunta: por que os trens de algumas ferrovias brasileiras dos dias de hoje, que s\u00e3o pequenos quando comparados aos navios e lentos quando comparados aos avi\u00f5es,\u00a0simplesmente n\u00e3o conseguem rodar com seguran\u00e7a e muito menos conseguem\u00a0ser eficientes no cumprimento de suas tarefas?<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Al\u00e9m disso, por que tantos acidentes?<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">\u00c9 rara a semana em que n\u00e3o temos not\u00edcia de um descarrilamento, tombamento, inc\u00eandio de vag\u00f5es de carga\u00a0ou quebra-quebra em um\u00a0trem de sub\u00farbio.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/ongtrem.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/3a.jpg\" align=\"baseline\" border=\"0\" hspace=\"0\" \/><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">Foto L\u00edvia Stumpf (Zero Hora)<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">As ferrovias brasileiras do passado n\u00e3o eram assim, tudo bem que haviam os antol\u00f3gicos acidentes da Central do Brasil, mas eles n\u00e3o eram a regra, eram a exce\u00e7\u00e3o.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">No geral, as ferrovias eram exemplo de efici\u00eancia e confiabilidade, tanto eram que foi sobre os seus trilhos que o\u00a0pa\u00eds cresceu e se desenvolveu.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Completando uma frase do Afonso Pena, o ex-presidente Washington Lu\u00eds, durante a\u00a0sua campanha de 1920 para o governo do Estado de S\u00e3o Paulo, disse uma frase antol\u00f3gica:<\/span><\/div>\n<div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\"><em>&#8211; Governar \u00e9 povoar, mas n\u00e3o se povoa sem se abrir estradas, e de todas as esp\u00e9cies; governar \u00e9, pois, fazer estradas.<\/em><\/span><\/div>\n<\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">S\u00f3 que como n\u00e3o haviam outras estradas, foi mesmo no lombo das estradas de ferro que o Brasil cresceu.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">At\u00e9 alguns anos, a chegada da ferrovia era sinal de progresso e desenvolvimento, enquanto que a retirada dos trilhos, por alguma modifica\u00e7\u00e3o de tra\u00e7ado que fosse feita ou por qualquer outro motivo, significava\u00a0o decl\u00ednio\u00a0do lugar.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Casos de\u00a0localidades que minguaram e desapareceram do mapa porque o trem deixou de passar por l\u00e1, como aconteceu com Japur\u00e1, que ficava em Tabapu\u00e3, no interior de S\u00e3o Paulo, n\u00e3o s\u00e3o nenhuma raridade. A retirada dos trilhos, por conta de uma retifica\u00e7\u00e3o feita no tra\u00e7ado da ferrovia, somado tamb\u00e9m a uma epidemia de mal\u00e1ria na mesma \u00e9poca, significou o fim do lugar, foi todo mundo embora e s\u00f3 sobrou mesmo uma esta\u00e7\u00e3o abandonada e\u00a0um cemit\u00e9rio.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/ongtrem.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Rogerio-Dutra-Pereira.jpg\" align=\"baseline\" border=\"0\" hspace=\"0\" \/><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">Foto Rog\u00e9rio Dutra Pereira<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">A\u00a0desativada\u00a0esta\u00e7\u00e3o de Japur\u00e1, o antigo<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">distrito da cidade paulista de Tabapu\u00e3, que<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">entrou em decl\u00ednio quando deixou de ser<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">servido pela ferrovia.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Algumas das atuais ferrovias do pa\u00eds, especialmente as ligadas \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios a granel, s\u00e3o boas e eficientes, mas poucas das\u00a0que servem a outros tipos de atividade t\u00eam uma qualidade satisfat\u00f3ria.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">\u00c9 claro que essa exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria prima bruta n\u00e3o \u00e9 o que gostar\u00edamos de ver como principal atividade econ\u00f4mica do Brasil, mas isso j\u00e1 \u00e9 um assunto\u00a0para uma outra conversa.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/ongtrem.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/Nando-Cunha.jpg\" align=\"baseline\" border=\"0\" hspace=\"0\" \/><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">Foto Nando Cunha<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">Trem de min\u00e9rio para exporta\u00e7\u00e3o, um<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">raro exemplo de qualidade e efici\u00eancia.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Continuando com as minhas d\u00favidas, eu tamb\u00e9m gostaria de saber o porqu\u00ea de\u00a0tanta dificuldade em compartilhar linhas entre trens de sub\u00farbio e cargueiros, j\u00e1 que a velocidade m\u00e9dia de ambos\u00a0mal chega a 80 km\/h, estou sendo generoso,\u00a0e nem todos os hor\u00e1rios s\u00e3o de grande movimento.\u00a0<\/span><\/div>\n<div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">E, por \u00faltimo, eu tamb\u00e9m gostaria de saber por que n\u00e3o se consegue manter um servi\u00e7o de sub\u00farbio t\u00e3o eficiente e seguro, como \u00e9 o servi\u00e7o\u00a0do metr\u00f4 paulistano?<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/ongtrem.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/4.jpg\" align=\"baseline\" border=\"0\" hspace=\"0\" \/><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">Foto do jornal O Estado de S\u00e3o Paulo<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">Um dia de problemas no sistema de trens<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">de sub\u00farbio da\u00a0regi\u00e3o metropolitana da<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">cidade de\u00a0S\u00e3o <\/span><span style=\"font-family: Arial;font-size: xx-small\">Paulo.<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">Se algu\u00e9m puder me responder essas perguntas, eu agrade\u00e7o, porque a \u00fanica coisa que eu quero mesmo,\u00a0<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-family: Arial\">\u00e9 tentar entender&#8230;<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p><span><span style=\"color: #888888\"><br \/>\n<br \/><\/span><\/span><\/p>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wanderley Duck (*) Olhem esta foto abaixo e vejam o tamanho da carga que esse navio semi-submers\u00edvel est\u00e1 transportando no seu conv\u00e9s, comparem com o tamanho dos pr\u00e9dios que aparecem nas proximidades. 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