{"id":512,"date":"2013-02-05T19:41:17","date_gmt":"2013-02-05T22:41:17","guid":{"rendered":"http:\/\/ongtrem.org.br\/site\/?p=512"},"modified":"2023-10-21T14:55:38","modified_gmt":"2023-10-21T17:55:38","slug":"linhas-ferreas-em-minas-sofrem-com-o-abandono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oexpresso.org\/ongtrem3\/linhas-ferreas-em-minas-sofrem-com-o-abandono\/","title":{"rendered":"Linhas f\u00e9rreas em Minas sofrem com o abandono"},"content":{"rendered":"<p>Largados ao abandono, trens de passageiros aguardam que o governo cumpra a promessa de assumir trechos ou fazer novas licita\u00e7\u00f5es. Linhas f\u00e9rreas retratam descaso com o patrim\u00f4nio<\/p>\n<p><a href=\"mailto:gerais.em@uai.com.br\">Pedro Rocha Franco\u00a0<\/a>&#8211; Estado de Minas\u00a0Publica\u00e7\u00e3o:\u00a009\/01\/2013 06:00\u00a0Atualiza\u00e7\u00e3o:\u00a009\/01\/2013 07:28<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td>Em Sabar\u00e1, o deteriorado pr\u00e9dio da antiga Rede Ferrovi\u00e1ria despachava gente da Grande BH ao Rio<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>\u00c0s 7h30, a maria-fuma\u00e7a apita para anunciar o in\u00edcio do percurso. O ponto de partida \u00e9 a Pra\u00e7a da Esta\u00e7\u00e3o, no cora\u00e7\u00e3o de Belo Horizonte, e quase 13 horas depois os passageiros desembarcam em Vit\u00f3ria. S\u00e3o 904 quil\u00f4metros separando as capitais mineira e capixaba. Ao t\u00e9rmino do trajeto, o dia se foi e j\u00e1 \u00e9 quase hora de dormir. Retrato fiel do abandono do transporte de passageiros no sistema ferrovi\u00e1rio do pa\u00eds, a \u00faltima linha di\u00e1ria de trens de passageiros (Vit\u00f3ria a Minas) demora quase duas vezes mais que o trecho percorrido de carro pela BR-381 (conhecida entre os mineiros como a Rodovia da Morte, devido \u00e0s curvas sinuosas e o alto \u00edndice de acidentes), chegando ao destino com os carros de passageiros quase vazios e tendo como prioridade o transporte de min\u00e9rio.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o das ferrovias em Minas \u00e9 o tema da quarta reportagem da s\u00e9rie O Brasil fora dos trilhos, que o Estado de Minas publica desde domingo. Quem opta pela viagem sobre trilhos de BH rumo ao litoral capixaba muitas vezes desconhece que da mesma esta\u00e7\u00e3o era poss\u00edvel chegar \u00e0s principais capitais de estados vizinhos numa rede extensa e capilar. Al\u00e9m de Vit\u00f3ria, era poss\u00edvel chegar a Salvador e ao Rio de Janeiro, de onde em uma baldea\u00e7\u00e3o se poderia rumar para S\u00e3o Paulo. Moradores do Sul de Minas usavam o trecho Ribeir\u00e3o Vermelho a Barra Mansa para trabalhar na regi\u00e3o industrial fluminense; nordestinos cruzavam o Nordeste, passando por Monte Azul. Ao todo, s\u00e3o quase 4 mil quil\u00f4metros de trilhos espalhados pelo estado.<\/p>\n<p>Uma pedra no caminho, no entanto, fez o governo federal mudar os rumos e colocar em segundo plano o modal f\u00e9rreo. Para piorar, na d\u00e9cada de 1990, quando foram assinadas concess\u00f5es para repassar a gest\u00e3o de todo o sistema f\u00e9rreo ao setor privado, estancando preju\u00edzo di\u00e1rio que rondava a casa de US$ 1 milh\u00e3o, uma sequ\u00eancia de erros resultou em amea\u00e7a ao patrim\u00f4nio secular: a iniciativa privada arrendou com o intuito de focar somente no transporte de carga; 80% dos mais de 50 mil im\u00f3veis pertencentes \u00e0 extinta Rede Ferrovi\u00e1ria Federal (RFFSA) n\u00e3o estavam registrados e n\u00e3o foi realizado sequer um invent\u00e1rio dos bens.<\/p>\n<p>&#8220;Quantas locomotivas eram? Quantos carros de passageiros? E toda a documenta\u00e7\u00e3o? Grande parte da hist\u00f3ria se perdeu, fora que houve roubos de trilhos e dormentes&#8221;, lamenta a historiadora, autora de estudo sobre trens de sub\u00farbio e coordenadora do N\u00facleo Ferrovi\u00e1rio da ONG Trem, Helena Guimar\u00e3es Campos.<\/p>\n<p>Josias Cavalcante, presidente da Valec Engenharia, estatal federal respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o de ferrovias, afirma que a tend\u00eancia \u00e9 de retomada pela Uni\u00e3o dos trechos abandonados e aqueles n\u00e3o aproveitados pelos concession\u00e1rios. H\u00e1 a op\u00e7\u00e3o de realizar novas concess\u00f5es de linhas, ou ainda, a possibilidade de a Valec assumir esses trechos. &#8220;Estamos rumando para o sistema de acesso aberto (open access, em ingl\u00eas), que busca mais integra\u00e7\u00e3o de malhas e de meios de transporte&#8221;, resume.<\/p>\n<p>O antigo trem Vera Cruz, que ligava Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, por exemplo, est\u00e1 abandonado em p\u00e1tios ferrovi\u00e1rios em Santos Dumont, na Zona da Mata de Minas. Ao fim dos contratos de 30 anos, o patrim\u00f4nio deve ser devolvido \u00e0 Uni\u00e3o no mesmo estado de conserva\u00e7\u00e3o em que foi entregue \u00e0s concession\u00e1rias. Mas sabe-se l\u00e1 como estar\u00e3o em 2026. Em Sabar\u00e1, na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte, a esta\u00e7\u00e3o restante da linha que ligava a Grande BH ao interior do Rio amarga o abandono. (Colaborou S\u00edlvio Ribas)<strong><\/strong><\/p>\n<p>Ramais desafogam Grande BH<\/p>\n<p>Em meio ao cen\u00e1rio de completo descaso, surge uma luz no fim do t\u00fanel. Duas d\u00e9cadas depois de a malha ferrovi\u00e1ria ter sido desestatizada, os estados e a Uni\u00e3o se mexem para reativar antigos trechos. Em Minas, o modal sobre trilhos pode ser a solu\u00e7\u00e3o para o transporte de passageiros na Grande Belo Horizonte. Tr\u00eas linhas est\u00e3o em estudo pela Secretaria Estadual de Gest\u00e3o Metropolitana, incluindo um ramal que permitiria o deslocamento por trem dos passageiros do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, e outro que levaria turistas at\u00e9 a cidade hist\u00f3rica de Ouro Preto \u2013 antiga capital do estado. Outro importante ponto tur\u00edstico que pode ser beneficiado \u00e9 o Instituto de Arte Contempor\u00e2nea e Jardim Bot\u00e2nico Inhotim, em Brumadinho, com a reativa\u00e7\u00e3o de antigas esta\u00e7\u00f5es e a possibilidade de passageiros chegarem ao local com maior facilidade.<\/p>\n<p>Os trilhos criados no s\u00e9culo 19 podem ser aproveitados, mas com um detalhe: \u00e9 latente a necessidade de modifica\u00e7\u00f5es nos tra\u00e7ados para aumentar a velocidade. \u00c0 \u00e9poca, os trens trafegavam a 60 quil\u00f4metros por hora e a ideia \u00e9 que as novas composi\u00e7\u00f5es superem a m\u00e9dia de 120 km\/h. \u201cTem de haver material competitivo para brigar com \u00f4nibus e carro\u201d, afirma o engenheiro ferrovi\u00e1rio da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) e ex-diretor do Departamento de Transporte Ferrovi\u00e1rio da Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) Afonso Carneiro Filho, respons\u00e1vel pelos projetos elaborados pelo governo federal em 2002 para reativar o sistema f\u00e9rreo. Al\u00e9m de novos trens, ele considera necess\u00e1rio separar o transporte de cargas do de passageiros, criando assim linhas paralelas na mesma faixa de dom\u00ednio.<br \/>\nA liga\u00e7\u00e3o do trem de alta velocidade (TAV), ou trem-bala, \u00e9 uma possibilidade para acelerar o transporte do estado com as duas maiores cidades do pa\u00eds (Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo). A ANTT estuda ampliar o projeto at\u00e9 Belo Horizonte. Carneiro e outros especialistas defendem que seja feita uma conex\u00e3o com Resende (RJ), o que possibilitaria ligar BH \u00e0s praias cariocas.<\/p>\n<p>Velocidade, no entanto, n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator a ser considerado, segundo o mestre em transportes pela Coordena\u00e7\u00e3o dos Programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ) e membro da ONG Trem Nelson de Mello Dantas Filho. Ele aponta a tarifa, conforto, tempo de viagem e a confiabilidade no hor\u00e1rio. (PRF)<\/p>\n<p><strong>Enquanto isso, lucro para as operadoras<\/strong><\/p>\n<p>A Estrada de Ferro Vit\u00f3ria a Minas (EFVM), controlada pela Vale, e que liga Minas Gerais ao Esp\u00edrito Santo, continua figurando como a mais produtiva do pa\u00eds. Apenas no per\u00edodo de junho a setembro, transportou 37,2 milh\u00f5es de toneladas, entre min\u00e9rio de ferro e carga geral. No acumulado dos nove primeiros meses, o volume total foi de 106,6 milh\u00f5es de toneladas. Considerada uma das mais modernas do pa\u00eds gra\u00e7as aos investimentos em tecnologia e recursos humanos, a EFVM tem 905 quil\u00f4metros de extens\u00e3o e transporta 40% de toda carga ferrovi\u00e1ria do pa\u00eds. Por ela circulam pelo menos 60 tipos de produtos, desde min\u00e9rios e a\u00e7o at\u00e9 soja e carv\u00e3o.\u00a0<strong><\/strong><\/p>\n<p>Reativa\u00e7\u00e3o atrai investimentos<\/p>\n<p>A retomada do setor ferrovi\u00e1rio no Brasil deve impulsionar a ind\u00fastria de fornecedores de vag\u00f5es e pe\u00e7as que, de certa forma, estava estagnada. Com a reativa\u00e7\u00e3o de 10 mil quil\u00f4metros de trilhos usados para o transporte de carga e a expectativa de que trens de passageiros tamb\u00e9m sejam criados, o setor prev\u00ea demanda de 1 mil locomotivas nos pr\u00f3ximos cinco anos, com disputa acirrada entre GE Transportation e Caterpillar, fabricantes de locomotivas siuadas em Minas, de cada novo cliente.<\/p>\n<p>A Progress Rail Services, empresa do grupo Caterpillar, inaugurou f\u00e1brica em Sete Lagoas, na Regi\u00e3o Central do estado, em novembro, tendo contrato para fornecimento de 35 ve\u00edculos e probabilidade de assinar em janeiro outro acordo para mais 18.<\/p>\n<p>Distante dali menos de 100 quil\u00f4metros, em Contagem, na Grande BH, est\u00e1 a unidade da GE Transportation. De olho no poss\u00edvel aumento de demanda, a companhia investiu US$ 35 milh\u00f5es para ampliar a capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 60 para 120 locomotivas por ano. Mas, com adequa\u00e7\u00f5es na planta, \u00e9 poss\u00edvel produzir at\u00e9 240 unidades por ano. (PRF)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Largados ao abandono, trens de passageiros aguardam que o governo cumpra a promessa de assumir trechos ou fazer novas licita\u00e7\u00f5es. 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