{"id":604,"date":"2013-04-07T10:39:53","date_gmt":"2013-04-07T13:39:53","guid":{"rendered":"http:\/\/ongtrem.org.br\/site\/?p=604"},"modified":"2023-10-21T14:55:26","modified_gmt":"2023-10-21T17:55:26","slug":"vagoes-do-trem-que-transportava-passageiros-de-bh-para-o-rio-estao-abandonados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oexpresso.org\/ongtrem3\/vagoes-do-trem-que-transportava-passageiros-de-bh-para-o-rio-estao-abandonados\/","title":{"rendered":"Vag\u00f5es do trem que transportava passageiros de BH para o Rio est\u00e3o abandonados"},"content":{"rendered":"<div dir=\"ltr\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/gerais\/2012\/11\/12\/interna_gerais,329144\/vagoes-do-trem-que-transportava-passageiros-de-bh-para-o-rio-estao-abandonados.shtml\">http:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/gerais\/2012\/11\/12\/interna_gerais,329144\/vagoes-do-trem-que-transportava-passageiros-de-bh-para-o-rio-estao-abandonados.shtml<\/a><\/p>\n<div>\n<p style=\"padding: 2px 4px;margin: 0px;font-size: 13px;font-family: 'Trebuchet MS',Trebuchet,Arial,sans-serif;border: 0px;color: #333333\"><a style=\"padding: 0px;margin: 0px;text-decoration: none;border: 0px;color: #efb31e\" href=\"mailto:\">Leonardo Augusto<\/a>\u00a0&#8211;<\/p>\n<p style=\"padding: 2px 4px;margin: 0px;font-size: 13px;font-family: 'Trebuchet MS',Trebuchet,Arial,sans-serif;border: 0px;color: #333333\"><span style=\"padding: 0px;margin: 0px;border: 0px;color: #666699\">Publica\u00e7\u00e3o:<\/span>\u00a0<span style=\"padding: 0px;margin: 0px;border: 0px\">12\/11\/2012 07:14<\/span>\u00a0<span style=\"padding: 0px;margin: 0px;border: 0px;color: #666699\">Atualiza\u00e7\u00e3o:<\/span><\/p>\n<div>\n<p>Juiz de Fora e Santos Dumont \u2013 Houve um tempo em que era poss\u00edvel dormir cortando o Vale do Paraopeba ou jantar \u00e0 luz de abajures cruzando a Serra da Mantiqueira. Tudo na mesma viagem, saindo de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro. As paisagens eram rasgadas do anoitecer ao amanhecer por um colosso prateado que corria sobre trilhos. Era o Vera Cruz, o trem de luxo que por aproximadamente 35 anos, at\u00e9 1990, fez o transporte de passageiros entre as duas capitais, um percurso de 640 quil\u00f4metros. Poderia continuar rodando, mas foi condenado a ter seus vag\u00f5es separados e colocados a apodrecer exatamente ao longo do trecho em que reluziu. Partes da composi\u00e7\u00e3o est\u00e3o hoje em p\u00e1tios ferrovi\u00e1rios de Belo Horizonte, Santos Dumont e Juiz de Fora, ambas cidades na Zona da Mata, com os vidros das janelas quebrados, o assoalho trincado e os poucos m\u00f3veis restantes se esfor\u00e7ando para dizer o que j\u00e1 foram.<\/p>\n<p>O Vera Cruz partia \u00e0s sextas-feiras e domingos de Belo Horizonte, da Esta\u00e7\u00e3o Central, e do Rio de Janeiro, da Central do Brasil, \u00e0s 20h15. A composi\u00e7\u00e3o era formada por sete ou oito vag\u00f5es, dependendo do volume de venda dos bilhetes. Na configura\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, o trem viajava com um vag\u00e3o para transporte de correspond\u00eancia, um para bagagens, dois com poltronas para 76 passageiros cada, um em que funcionava o restaurante e dois com cabines para at\u00e9 quatro pessoas. Um vag\u00e3o conhecido como sal\u00e3o-cauda, para 44 pessoas, poderia ser acoplado \u00e0 composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A \u00faltima viagem do Vera Cruz ocorreu em mar\u00e7o de 1990. Antes de serem transferidos para p\u00e1tios de Minas Gerais, os vag\u00f5es do trem ficaram estacionados em trilhos da Central do Brasil, no Rio de Janeiro, onde come\u00e7aram a se deteriorar. Em 1996, com a privatiza\u00e7\u00e3o da Rede Ferrovi\u00e1ria Federal Sociedade An\u00f4nima (RFFSA), a Uni\u00e3o iniciou a divis\u00e3o da responsabilidade sobre os chamados ativos fixos (as estradas de ferro) e rodantes (trens e vag\u00f5es). Todo o sistema foi repassado \u00e0s concession\u00e1rias que venceram leil\u00e3o realizado pelo governo federal. Quatro dos vag\u00f5es do Vera Cruz foram transferidos para o p\u00e1tio da empresa MRS Log\u00edstica no Bairro Horto, em Belo Horizonte. \u201cEstamos \u00e0 espera de apoio da Uni\u00e3o para determinar o que ser\u00e1 feito com o material\u201d, diz o respons\u00e1vel pela planta, Paulo Fonseca. Mesmo deteriorados, existe a possibilidade, conforme o funcion\u00e1rio da MRS, de os vag\u00f5es voltarem a ser utilizados.<\/p>\n<p>Em Santos Dumont, partes do Vera Cruz se misturam \u00e0s de outra composi\u00e7\u00e3o semelhante, o Trem de Prata, que fazia o transporte de passageiros entre S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, e foi retirado de circula\u00e7\u00e3o em 1995. Os vag\u00f5es imobilizados na cidade est\u00e3o sob a guarda do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e do Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais. O mesmo ocorre em Juiz de Fora, onde est\u00e3o juntos, parados ao tempo, vag\u00f5es do Vera Cruz e do Trem de Prata, tamb\u00e9m sob responsabilidade do Dnit e de concession\u00e1rias da malha ferrovi\u00e1ria. Mesmo com todas as composi\u00e7\u00f5es em mal estado de conserva\u00e7\u00e3o, tanto em Belo Horizonte como em Santos Dumont e Juiz de Fora h\u00e1 um forte esquema de seguran\u00e7a armada para evitar a entrada de pessoas nos p\u00e1tios onde elas est\u00e3o. A contrata\u00e7\u00e3o das equipes, no entanto, s\u00f3 ocorreu recentemente, depois de os vag\u00f5es terem partes roubadas para serem vendidas como sucata.<\/p>\n<p>REFORMA<\/p>\n<p>O presidente da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o-governamental (ONG) Amigos do Trem, Paulo Henrique do Nascimento, afirma que a associa\u00e7\u00e3o tem interesse em reformar os vag\u00f5es do Vera Cruz para utiliza\u00e7\u00e3o em linhas de trens tur\u00edsticos a serem criadas. A ONG j\u00e1 conseguiu colocar em condi\u00e7\u00f5es para circula\u00e7\u00e3o uma litorina (vag\u00e3o com motor pr\u00f3prio), cedida pelo governo federal, que dever\u00e1 fazer a liga\u00e7\u00e3o entre o munic\u00edpio de Santos Dumont e a Fazenda Cabangu, onde nasceu Santos Dumont, o pai da avia\u00e7\u00e3o. O trecho entre a fazenda, transformada em museu, e o munic\u00edpio tem aproximadamente 15 quil\u00f4metros. \u201cO problema \u00e9 que a burocracia atrapalha os nossos projetos\u201d, diz Nascimento.<\/p>\n<p>A extin\u00e7\u00e3o do Vera Cruz ocorreu com o aumento do movimento de transporte de min\u00e9rio de ferro pelas ferrovias que ligam Minas Gerais ao porto do Rio de Janeiro. O tempo da viagem entre as capitais, que oscilava entre 12 e 14 horas, ficou ainda maior por causa das paradas para passagem dos vag\u00f5es de carga. A primeira viagem da composi\u00e7\u00e3o foi em 29 de mar\u00e7o de 1950, portanto, exatos 40 anos antes de sua sa\u00edda de circula\u00e7\u00e3o. Durante o per\u00edodo, no entanto, houve interrup\u00e7\u00e3o no funcionamento da linha nos anos 1970, por curtos per\u00edodos, e entre 1976 e 1980, quando foi retomado para se aposentar novamente 10 anos mais tarde. A tra\u00e7\u00e3o do Vera Cruz era feita com locomotivas diesel-el\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Outros tempos<\/p>\n<p>\u2018Numa noite fresca de abril\u2019<\/p>\n<p>Otac\u00edlio Lage<\/p>\n<p>\u201cEu tinha exatamente 2 anos quando o Vera Cruz trafegou pela primeira vez. Vinte e tr\u00eas anos depois, eu faria a primeira viagem nele, entre Belo Horizonte e o Rio de Janeiro. Antes, j\u00e1 havia ido \u00e0 capital fluminense, mas de \u00f4nibus, pela Via\u00e7\u00e3o Cometa, da qual os belo-horizontinos, ent\u00e3o, eram ref\u00e9ns. Era in\u00edcio de abril e a noite estava fresca. Viajei em um carro de 76 poltronas, nem todas ocupadas. A composi\u00e7\u00e3o oferecia carro-leito, com cabines individuais, mas o dinheiro era curto para tanto conforto.<br \/>\nRestaurante do Vera Cruz repleto de passageiros nos tempos \u00e1ureos e o vag\u00e3o de refei\u00e7\u00f5es do Trem de Prata, tomado pelo lixo e abandono<br \/>\nT\u00e3o logo embarquei, fui para o carro-restaurante tomar cerveja e jantar. Havia muitos casais, poucos solteiros, mas deu para entrosar. Por serpentear muito entre as montanhas de Minas e ter de cruzar as serras da Mantiqueira e do Mar, o Vera Cruz gastava 14 horas para fazer a viagem de 640 quil\u00f4metros \u2013 por rodovia eram, \u00e0 \u00e9poca, 445, percorridos em sete horas. Confesso que desembarquei na Esta\u00e7\u00e3o Dom Pedro II, no Rio, meio mareado. Mais tarde, ajudei a noticiar as sucessivas interrup\u00e7\u00f5es do Vera Cruz, que em 15 de mar\u00e7o de 1990 foi aposentado de vez. Contudo, aquela viagem, em 8 de abril de 1973, ficou para sempre na minha lembran\u00e7a.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>http:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/gerais\/2012\/11\/12\/interna_gerais,329144\/vagoes-do-trem-que-transportava-passageiros-de-bh-para-o-rio-estao-abandonados.shtml Leonardo Augusto\u00a0&#8211; Publica\u00e7\u00e3o:\u00a012\/11\/2012 07:14\u00a0Atualiza\u00e7\u00e3o: Juiz de Fora e Santos Dumont \u2013 Houve um tempo em que era poss\u00edvel dormir cortando o Vale do Paraopeba ou jantar \u00e0 luz de abajures cruzando a Serra da Mantiqueira. Tudo na mesma viagem, saindo de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro. 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