Estudo da Mobilidade BH-NL

Este é um estudo de caso sobre a infraestrutura viária no vetor Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte, especificamente no eixo de conexão entre os municípios de Belo Horizonte e Nova Lima. Por meio de simulações computacionais microscópicas de tráfego, o relatório analisa a eficácia das obras executadas e o impacto projetado das intervenções planejadas para os próximos anos.

Os resultados indicam que soluções baseadas exclusivamente no aumento da capacidade viária para transporte individual (como novas faixas e viadutos) oferecem retornos marginais em termos de tempo e velocidade de deslocamento. O comportamento observado valida a incidência do Paradoxo de Braess na região, agravado por um acentuado crescimento demográfico verticalizado. O relatório conclui pela necessidade de redirecionamento dos investimentos para soluções de transporte multimodal e preservação ambiental.

As simulações computacionais demonstram que as obras de engenharia focadas estritamente na expansão asfáltica possuem baixa eficácia real para sanar o problema de tráfego do vetor Sul a médio e longo prazo.
Intervenções de impacto local — como a trincheira na MG-zero trinta sob a Av. Oscar Niemeyer — não alteram a dinâmica macro de mobilidade. Por outro lado, obras de grande impacto socioambiental — como a Avenida Parque da Linha Férrea (planejada sobre área verde) ou o Viaduto da Ferradura (que demanda redução da área da Reserva do Cercadinho) — apresentam altos custos ambientais para retornos de tráfego tecnicamente nulos ou negativos.

Foram sugeridas as seguintes diretrizes pelo estudo:

Suspensão de Projetos Unimodais de Grande Impacto: Recomenda-se reavaliar os projetos da Avenida Parque da Linha Férrea e do Viaduto da Ferradura devido ao seu impacto ambiental e ineficácia comprovada em simulação.

Migração para Soluções Multimodais: O foco do planejamento regional deve migrar da expansão de vias para o investimento em infraestrutura de transporte coletivo de média e alta capacidade (ex: transporte metro-ferroviário via ramais existentes e sistemas complementares segregados).

Preservação e Conectividade Ecológica: Priorizar a consolidação de parques lineares e a proteção da Reserva do Cercadinho como ativos urbanos e ambientais indispensáveis, desvinculando o planejamento viário de pressões imobiliárias ou imediatismos políticos.